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quarta-feira, novembro 04, 2009

Ainda Angola

Um breve post que hoje li, trouxe-me à memória os tempos passados em Angola e as diferenças entre o dia-a-dia naquelas paragens e o que tenho em Portugal. A nível profissional, e vendo bem as coisas, no essencial o meu trabalho é muito semelhante, embora os métodos para o pôr em prática é que sejam distintos. Tenho fases mais optimistas, em que não falta o que fazer e em que sinto que tenho uma função importante dentro do grupo, mas outras em que me sinto mais desmotivado e questiono a importância das tarefas que me estão incumbidas. Nesse aspecto as coisas pouco diferem, onde quer que eu estivesse a trabalhar. Tanto cá como lá, passo o dia de trabalho com colegas, sem família ou amigos pessoais ao meu lado, estou num escritório ou fora dele e enfrento trânsito mais ou menos complicado (no Porto uso o Metro, nisso é muito melhor).

As diferenças começam quando o horário de expediente termina. Estou em Portugal, estou em casa. Vou ter com a família, com amigos. Estou a um passo de vários centros comerciais, cinemas, salas de espectáculo, ginásios, teatros, etc. Só o facto de saber o local onde estamos é suficiente para mudar tudo. Pelo menos comigo. Em Angola, só o sentimento de que ao fim do dia já sabia tudo aquilo que ia ou não fazer, deprimia-me profundamente, logo desde que acordava pela manhã. Havia algumas excepções. Aquelas festas que por vezes (muitas vezes vá) se organizavam, aproveitando qualquer motivo que fosse, tentavam fazer esquecer essa tristeza de vida. Sei ver, acho eu, que algumas pessoas são felizes a viver nestas condições. Ou porque necessitam mesmo, ou porque têm mais ligações com o local, mais família a viver com eles, ou porque pura e simplesmente gostam, sem qualquer outro tipo de justificação.

Hoje, e tenho que dizer que é mesmo hoje porque este tipo de sentimentos está sempre a mudar, não me arrependo de ter ido para Angola. Nem de ter voltado... se bem que neste ponto ainda não devesse colocar as coisas exactamente nestes termos. Espero, em breve, poder estar mais convencido disto. Temos que olhar para o presente e se sobrar um pouquinho mais de visão, quem sabe, olhar também um pouco para o futuro. Mas um futuro a curto prazo. Amanhã, o mês que vem, no máximo no próximo ano. Eu não era assim, e isso é uma das coisas que ainda estranho em mim próprio e que foi fruto da minha estada em África. Aproveitar o dia ao máximo, não sofrer em antecipação, e estar sempre a planear algo para pôr em prática daqui a pouco tempo. Fazer algum plano a breve prazo que nos mantenha constantemente motivados e com forças para alcançar este objectivo, aparentemente simples, mas extremamente prazeroso.

Também nesse aspecto, estar em Portugal ajuda imenso. Sei que tenho que trabalhar de 2ª a 6ª, mas que na 6ª feira ao final da tarde estarei, digamos assim, completamente livre por uns dias. Não tenho que pensar que no dia seguinte de manhã ainda tenho que ir trabalhar, só porque sim, porque parece bem, porque no fundo só vou porque não tenho quaisquer planos pessoais. Assim era em Angola, onde a maior parte das vezes ia no Sábado de manhã até ao local de trabalho. Ia apenas, grande parte das vezes, por ir. Ficava em casa a fazer o quê, se toda a gente ia também? Só se fosse a dormir, ou a tentar fazer que dormia, pois a hora madrugadora de acordar todos os dias, condicionava fortemente o meu relógio interno. Ia passear, com quem, para onde, como? Apenas mais para o final desta aventura, algumas destas situações foram pouco a pouco ficando atenuadas, mas mesmo assim não era a mesma coisa. Aqui, no fim-de-semana, posso ficar pela cidade, ir simplesmente ao cinema, às compras, tratar de certos assuntos pessoais que por indisponibilidade de tempo não pude tratar durante a semana, passear e tirar umas fotos pela Baixa. Posso ir ver um concerto, seguindo as bandas e artistas que tanto gosto ou descobrir novas sonoridades. Posso ir passear com a família, combinar encontros de amigos e organizar o que bem nos apetecer, mediante as inúmeras opções que temos ao nosso alcance. Posso pegar no carro e ir fazer uma viagem mais ou menos longa. Há tanto para ver aqui, tanto para conhecer no nosso país. Já para nem falar de que até posso apanhar um voo (low cost, por apenas alguns euros) e visitar uma qualquer grande cidade europeia. E tudo isto está aqui, mesmo ao lado, ao nosso alcance, sem grandes dispêndios de tempo ou dinheiro. Como alguém me disse recentemente "Aqui as coisas parecem muito mais acessíveis", no sentido em que os sonhos parecem estar bem mais ao nosso alcance. E só conseguimos chegar a essa conclusão depois de termos tido oportunidade de obter algum termo de comparação.

Aprendi muito, a sério, do melhor e do pior… mas o post já vai longo e deixo mais algumas considerações para uma próxima oportunidade. Apetece-me apenas, por agora, despedir com um “até já” e terminar da seguinte forma.

Eu era realmente infeliz em Angola e agora, em Portugal, sou quase feliz.
Nunca desejei tanto que chegasse depressa o Natal!


Aproveito esta oportunidade, para mandar um grande abraço a todos os meus colegas e amigos com quem eu partilhei aqueles longos meses e que contribuíram, sem dúvida, para prolongar um pouco mais e tornar menos penosa a minha estada em Angola. Força aí pessoal! ;) Já pareço um daqueles militares que esteve no Ultramar, no 69º esquadrão de cavalaria da "Quinta das Celebridades". LOL

(Banda sonora deste texto: Muita Kizomba e "Ghostbusters")

terça-feira, junho 30, 2009

"Barroco Tropical"


"Luanda corre a toda a velocidade em direcção ao Grande Desastre. Oito milhões de pessoas aos uivos, aos choros e às gargalhadas. Uma festa. Uma tragédia. Tudo o que pode acontecer, acontece aqui. O que não pode acontecer, acontece igualmente."

p. 93 - Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa

A ler em breve...

1º capítulo aqui

sexta-feira, março 13, 2009

Um Ano Depois


Huambo, Angola


10 de Março, em casa, à noite

Há exactamente um ano, e por volta desta hora, estava a embarcar pela primeira vez no voo para Luanda. O que pensava eu nessa altura? Como é que eu vejo a situação agora? É tempo de balanço… Amanhã, pois hoje já estou cheio de sono e ainda um pouco atordoado depois desta derrota do SCP (7-1). Pelo menos não é o meu clube.

Também não tenho nada mais para fazer, pois o acesso à Internet não está a funcionar. Deve ser coisa passageira. Volto a tentar amanhã. Passem bem e muito boa noite.

Comecei a ler “O Último Ano em Luanda”.


11 de Março, em casa, à noite

Continuo sem internet pessoal pelo segundo dia consecutivo, mas isso não me irá impedir de fazer o prometido balanço deste meu primeiro ano em Angola. Hoje, que passa exactamente um ano do dia em que aterrei nesta terra. O jogo do FCP já terminou (0-0) o que permitiu a sua passagem para os quartos de final. Este sim, é o meu clube. Infelizmente, não consegui ver a partida pela televisão. Os canais desportivos disponíveis no nosso pacote português de televisão por satélite, optaram por transmitir dois dos outros jogos. Azar, ouvi o relato na rádio, coisa que já não me recordo de fazer. Só nesta terra, realmente…

Quanto ao balanço deste primeiro ano em Angola e depois de muito pensar no que deveria ou não escrever aqui, começarei por resumir dizendo que foi francamente negativo. A quase todos os níveis. Chego ao fim deste ano com pouquíssimos motivos que me levem a ficar satisfeito com o trabalho desenvolvido e também com a vida pessoal que tenho experienciando por cá. Vim numa perspectiva de enfrentar um novo desafio, que me enriquecesse, não monetariamente, mas em termos de carreira profissional e também a nível pessoal. O que sinto que se tem vindo a passar é precisamente o oposto. Tenho aprendido, isso sim, a forma como as coisas não devem ser feitas e não consigo ver nessa situação nada de pedagógico. Sinto-me profundamente desmotivado com tudo isto, apesar de todo o apoio que me vai sendo dado pelos meus colegas e amigos. Aquando da minha mudança de residência de Luanda para o Huambo e quando tudo apontava para que a situação melhorasse, ainda se tornou mais complicada. Esta cidade é uma completa monotonia, principalmente aos fins-de-semana. Não tens quaisquer formas de entretenimento e está longe de tudo. É verdade que não tem a confusão de trânsito que tem Luanda, nem o seu stress. Mas isto também é tanto ou mais stressante. O dia-a-dia é uma tristeza mesmo. Nem as pessoas nem as condições em que vivo conseguem tornar esta estadia mais agradável. Aliás, sinto mesmo que tudo aqui ainda me puxa ainda mais para baixo. Vão valendo algumas idas a Luanda para mudar de ares e voltar a ver algumas pessoas, com quem ganhei alguma ligação durante os meses que lá passei. A nível pessoal sinto-me duplamente desenraizado. Da minha família e amigos em Portugal e também dos colegas e amigos que ficaram em Luanda. É das poucas coisas que posso considerar positivas. Ter conhecido novas pessoas, que a diferentes níveis tiveram, têm e continuarão certamente a ter um papel importante na minha vida. Em especial uma pessoa que me tem acompanhado há já alguns meses e que tem tornado este tempo menos penoso. É neste momento, em que julgo que a melhor decisão da minha parte será voltar para Portugal, que sinto que deixarei parte de mim para trás. Mas que, em compensação, regressarei com algo mais no coração, do que apenas tristes recordações. E se isso não for suficiente…

Volto ao ponto de partida da mesma forma, ou ainda pior, do que estava um ano atrás. Volto em busca de equilíbrio e de uma felicidade interrompida, suspensa por mais de um ano. Tive momentos de felicidade, não posso negar, mas sinto que uma vida feliz, embora sendo algo utópico, será mais possível de alcançar na minha terra natal.

Voltarei em breve, para tentar a felicidade contigo.


12 de Março, em casa, à noite

Pelo terceiro dia consecutivo continuo sem serviço de internet, pelo qual estou a pagar cerca de 45 euros por mês. Isto depois de ter mudado de um outro, de outra rede, mas em todo semelhante a este, que custava mais de 80 euros por mês. País de ladrões… Hoje também, julgo que devido ao mau tempo que se faz sentir, não consigo efectuar nem receber chamadas de telemóvel. Ou seja, estou ligado ao mundo apenas graças à inovadora tecnologia dos SMS que vão teimando em funcionar.

O dia foi diferente, com uma ida ao Lobito e Benguela, da qual espero vir a falar numa outra oportunidade.

Neste momento, o som entranhante do gerador não pára, assim como não pára a água que persiste em entrar no quarto. Quarto este, que simpatizou comigo e insiste em não me largar. Mas o cansaço vence tudo isto e adormeço.

Amanhã , espero finalmente conseguir colocar este post, recorrendo à internet do escritório.


13 de Março (6ª feira), no escritório, de manhã

Aqui vai finalmente o já longo post… espero que chegue em condições e ainda dentro do prazo de validade. Bom proveito.

Felicidade é o que desejo a todos e aquilo que não desistirei de perseguir.

Eu vou!

sábado, fevereiro 28, 2009

Cazenga e violações

Ouvi ontem na rádio esta notícia que não posso deixar de comentar. Durante a passada semana foram registados três casos de violações de menores no Cazenga, em Luanda. Raparigas com idades entre dos 11 e os 13 anos, salvo erro, foram violadas sexualmente por vizinhos e/ou familiares
.
De entre algumas entrevistas efectuadas, saliento uma em que o pai e a avó de uma das vítimas se manifestavam "incomodados" com a situação da sua menina que agora se encontrava grávida. Do vizinho ou do primo, não se sabe ao certo.

Mas o ponto alto desta reportagem foi o momento em que entrevistaram um desses violadores, com 31 anos que afirmou: "Não fazia ideia que ela tinha 11 anos. Pensava que tinha 12, só depois é que vi a sua cédula."

Isto é outro planeta, só pode...

A imagem seguinte ilustra uma passagem recente por esse famoso bairro.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Frio

Frigorífico em Luanda


"Quando tiveres uma lágrima de tristeza, parte-a ao meio, dá-me metade e chorarei contigo. Quando eu tiver um sorriso de alegria dou-te inteiro só para te ver feliz!"

domingo, novembro 23, 2008

Hoje na Praia!

É verdade... em final de Novembro, na praia!

Ilha de Luanda (Miami)

segunda-feira, agosto 04, 2008

Grande Festival


Qual Rock in Rio, qual quê, 100.000 pessoas é para meninos.


"O MPLA encerrou sábado a sua pré-campanha eleitoral, juntando no bairro do Zango, arredores de Luanda, mais de um milhão de pessoas, naquela que é tida como a maior manifestação de massas já registada em Angola num acto político." - Jornal de Angola (04/08/2008)

sexta-feira, agosto 01, 2008

Afinal é o quê?


Mas afinal o David é o quê?

Candongueiro?

domingo, julho 13, 2008

Dias cinzentos

São dias cinzentos
cá por Luanda,
dias de pouco sol,
não deixam de ser quentes,
não aquecem o suficiente,
não dá vontade de fazer nada
dentro do pouco que se podia fazer,
ganha-se coragem
os resultados desmotivam,
quero é trabalhar
e esquecer o resto
a solidão permanece
valem as amizades
mas falta algo mais
são dias cinzentos,
cinzentos como eu.

terça-feira, maio 20, 2008

Quatro



Faltam menos de quatro...

segunda-feira, maio 05, 2008

50 Cent aqui em Luanda

Num concerto que me passou completamente despercebido, no dia 30 de Abril aqui em Luanda, ocorreu a seguinte situação caricata:

"50 Cent assaltado em palco em Luanda

50 Cent foi assaltado num concerto no Pavilhão da Cidadela em Luanda, na última quarta-feira, a propósito do primeiro dia do Festival Internacional da Paz.
O assalto aconteceu quando um indivíduo emergiu da assistência, atravessou a segurança e surpreendeu o cantor americano no palco, arrancando-lhe o fio do pescoço. O músico ainda tentou impedir a investida ao atirar-se à assistência para onde o autor do roubo se dirigiu em fuga, mas sem sucesso, conta o jornal angolano Angonotícias.
Aborrecido, o rapper retirou-se de seguida com os elementos que compõem a crew G-Unit, sem chegar ao fim do espectáculo. O festival tem organização da produtora Casa Blanca.
"



Duas coisas a reter... "Festival Internacional da Paz" e "produtora Casa Blanca".

Aguarda-se com bastante ansiedade pelo concerto da Beyonce em Angola. Cuidado com as jóias.


Últimos desenvolvimentos sobre esta notícia:

"
O espectador que, na semana passada, subiu ao palco de um concerto de 50 Cent em Luanda para roubar uma jóia que o rapper trazia ao pescoço, entregou-se à polícia, acompanhado pela família. Segundo notícia da Lusa, que cita Divaldo Martins, chefe do Gabinete de Operações da Polícia Provincial de Luanda, o rapaz confessa ter roubado a jóia, mas garante tê-la perdido logo a seguir. O suspeito entregou-se à polícia depois de as autoridades terem divulgado imagens que permitiam a sua identificação. A jóia que 50 Cent viu «voar» para as mãos do espectador estaria avaliada em 600 mil euros, avançam algumas fontes da imprensa angolana."

quarta-feira, abril 02, 2008

Movinet

Finalmente, a minha ligação que faltava!


Uma ligação à civilização, que não tem preço...

www.movicel.net

quinta-feira, março 27, 2008

Fins de Semana

Há bastantes dias que estou sem internet em casa e por isso tem-me sido extremamente complicado arranjar algum tempo para actualizar o blog. Para isso e ainda mais grave, para falar com todas as pessoas em Portugal, nas melhores condições.

Já passei por dois fins de semana aqui, um deles com três dias, que decorreram de forma tranquila. Por vezes demasiado... Como não tenho meio de transporte próprio e alguns dos que têm carro estiveram de férias em Portugal, sair de casa sem ser para o trabalho, ocorre muito esporadicamente.

No primeiro Domingo fomos dar um passeio para Sul de Luanda, até à barra do rio Kwanza. Pelo caminho, parámos no "Miradouro da Lua", um local de paragem quase obrigatória, devido à sua belíssima paisagem natural, de escarpas junto ao mar.


Pela manhã estive numa praia, a trabalhar, pela primeira vez em África, para o bronze. Mas por pouco tempo, que o sol queima. Depois de um bom almoço (arroz de marisco) num restaurante da praia, atravessamos a ponte (com portagem) sobre o rio Kwanza e fomos à procura de um local para um colega nosso practicar parapente. As condições atmosféricas não eram as melhores, mas ainda deu para ele voar por alguns minutos.




No regresso a Luanda, pude comprovar os perigos destas estradas, principalmente aos fins de tarde de Domingo.


No segundo fim de semana, na 6ª Feira Santa, fomos a uma belíssima praia, no Mussulo Sul. Esta praia, em particular, situa-se numa ilha junto à península do Mussulo, em frente a Luanda. Para lá chegar, apanhámos um pequeno mas rápido barco num embarcadouro chamado Kapossoca.


Foi um dia muito agradável, ao qual se seguiram dois dias passados essencialmente em casa, a fazer compras, de bens essenciais, e num passeio (infelizmente sem registo fotográfico) pelo centro da cidade, baía e ilha de Luanda.


Actualmente, e mesmo a propósito, estou a ler "Os Retornados", de Júlio de Magalhães. Comentário em breve.

terça-feira, março 18, 2008

O primeiro impacto

Já passou uma semana desde que aterrei aqui em Luanda. Uma semana de adaptação a esta nova vida. Com novos colegas, novos horários, uma nova rotina. É quase tudo diferente por aqui. O choque inicial, logo à chegada, foi grande. Julgava que vinha preparado para as mudanças, mas apenas aos poucos estou a interiorizar todas estas alterações. Só o trabalho é semelhante. Com as suas particularidades, obviamente, decorrentes da realidade local e das diferentes pessoas que cá trabalham.

A viagem passou rapidamente. Com música, conversa e umas sonecas durante a noite, não foi complicado passar mais de sete horas no avião. Um jantarinho às 23:00 e um pequeno-almoço às 4:00 da manhã nem caíram nada mal e também contribuíram de certa forma para passar melhor o tempo. À saída do avião tudo mudou de figura. Parecia que tinha um peso imenso em cima de mim, tal era o calor, abafado pela humidade. Por momentos imaginei que não iria aguentar ali muito tempo. Mas tinha de continuar. E rapidamente o meu corpo se adaptou aquele clima. Fiquei, portanto, alagado em suor… Fomos levados num autocarro para a gare, para proceder aos formalismos de chegada. Os minutos passaram, talvez uma hora. Não fiquei muito bem com a noção do tempo. Disseram-me depois que até foi bastante rápido. Como seria se não fosse?


Nunca hei-de esquecer aquele primeiro percurso de automóvel pelas ruas de Luanda. Senti que estava noutro planeta. Tudo era estranho para mim. Os carros, imensos e diferentes dos modelos que eu conhecia. As pessoas, muitas que caminhavam ao longo das estradas e outras que vendiam todo o tipo de produtos aos automobilistas que eram forçados a ficar parados nas longas filas de trânsito. O pó ao longo da estrada, que ia sendo contrariado pelos varredores, que apenas o mudavam de sitio. E as casas, ou eram grandes edifícios antigos, deteriorados ou então pequenas barracas feitas de blocos e chapas em zonas de “favelas” miseráveis a perder de vista.


Não sei se terá sido aquele percurso, mas o que é um facto é que fiquei de rastos. Em todos os sentidos, mas principalmente de cansaço. Algumas horas depois estava instalado na minha nova casa. Ar condicionado e uma cama. Foi só isso que vi à minha frente. A manhã ainda ia a meio, mas acho que se tivesse sido possível, teria dormido até à manhã seguinte. Sei que almocei fora com alguns dos meus novos colegas, fui tratar de umas papeladas à empresa durante a tarde e jantei em casa. Mas as memórias são bastante difusas. Recordo que à noite fiquei extremamente aliviado, pois tinha internet em casa. Lenta, muito lenta, mas que lá me vai ligando às minhas raízes em Portugal. É por ela que mantenho o contacto com as pessoas que gosto. É através dela que vos faço chegar estas palavras. É graças a ela que vou estando ligado à civilização. E tentando disfarçar as saudades.


Espero que este primeiro texto tenha servido para mim como um incentivo para actualizar mais regularmente o blog. Os tempos livres não têm sido muitos e os que existem têm sido aproveitados para descansar e moldar-me aos novos horários. Fica desde já prometido, para os próximos dias, um breve relato do meu primeiro fim-de-semana por terras africanas. Entretanto, podem ir vendo algumas das fotografias no meu Hi5 (davidpinto1979.hi5.com). Se forem meus amigos, claro… ;)